Sim, eu te bloqueei

Em 31.01.2017   Arquivado em Textos

e não me arrependo.

Queria que tivesse sido sutil. Poderia ter vindo através de conversa franca (considerando o grau de amizade que tínhamos) ou pistas colocadas com cuidado sobre a mesa para que os ferimentos não fossem tão profundos, mas veja, pessoal, não aconteceu assim. Foi furacão acompanhado de poeira invadindo os olhos. Vendaval, aqueles que de tão fortes e violentos acabam nos tirando dos eixos; balde de água fria e pedras de gelo caindo sobre a cabeça, granizo desabando à toda velocidade. Foi abrupto.

Fazer login no Facebook era como correr em meio a tiros sem usar colete a prova de balas. Foto de calopsita pousada no braço, sorrisos capturados atrás do volante e rostos ensopados pela água da piscina, as mensagens visualizadas e deixadas sem resposta — ou, quando respondidas, chegavam em forma de “não tenho tempo” e “vamos deixar para outro dia”. Outro dia que nunca chegou.

O presente virou passado, lembranças de um ensino médio agridoce, caronas e pisa pé sem direito a repeteco. O aperto no peito se tornou inevitável, sensação de que não era mais parte sufocando cada vez mais e mais, cabeça bagunçada, revirada, quebrada. Deveria ter feito algo muito errado. Talvez fossem as minhas reclamações ou então a insegurança, a paranoia, ou o simples fato de que as ideias não batiam mais, provocações sem sentido que deixavam o clima pesado.

Pode ser que tudo tenha começado no dia que não pude abrir as portas da minha casa quando disse que faria, um pai internado e uma mãe que havia passado mal naquele mesmo dia, ou quando optei por não me intrometer no (término do) relacionamento alheio. Os dois envolvidos eram donos de boa parte do meu coração, só queria ser a Suíça que segurava isopor cheio de bombons e pães de mel. Ou será que as coisas começaram a se perder no dia do culto, eu discordando em silêncio de cada palavra dita pelo pastor? Não sei. Só sei que pensava e as perguntas surgiam, todas acompanhadas por confusão e angústia, o fundo do poço mais palpável com o passar do tempo.

Eu não queria mais me torturar, sabe? Não queria mais o sentimento de que minha presença não era mais desejada, convites que nunca vinham para as saídas que eram combinadas. Estava farta de me sentir excluída quando desejava estar por perto.

O botão de bloquear se mostrou uma ótima escolha para a minha saúde psicológica.
E foi mesmo.

  • Chell

    Em 31.01.2017

    Olha… as vezes o que temos que fazer, pra nosso próprio bem, é deixar ir. E você fez isso e se sentiu bem, =D

  • Mareska

    Em 31.01.2017

    Eu sou muito a favor do block como maneira de manter a saúde mental. Também já fiz e também não me arrependo.

  • Marcela

    Em 31.01.2017

    Nic, você é uma pessoa tão boazinha que eu fico até brava, HAHAHAHA. Mas vou te contar que o block é uma BÊNÇÃO! Com o tempo a gente se preocupa menos, se tortura menos por gente que não merece a gente e o block corre solto. <3