Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

Em 10.03.2017   Arquivado em Livros

Quando uma profissão que supostamente deveria salvar vidas, destrói culturas inteiras. Quando pensar é uma ameaça e a literatura é o grande inimigo de uma nação. Essa é a premissa do clássico distópico, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.

Na obra, Guy Montag é um bombeiro como qualquer outro: ao invés de apagar incêndios, provocam. Basicamente, o trabalho de um bombeiro é atear fogo em construções que contenham resquícios de livros. De vez em quando, pessoas ficam no caminho e tornam-se cinzas com seus papéis.

Numa sociedade onde é preto no branco, todas as pessoas são iguais. Cidadãos que moram em casas padronizadas, assistem programas de drama que são os únicos disponibilizados pelo governo, interagem uns com os outros por meio do mundo virtual e preocupam-se com coisas triviais. O contato físico com alguém que não seja membro de seu casamento é terminantemente proibido. Não existem laços nos robôs feitos para mão-de-obra.

Publicado na década de 50, o livro retrata o que, na época, parecia ser o futuro. O ano de 1990 nunca foi mais sombrio. Personagens superficiais como a esposa de Guy, Mildred, transformam sua vida em mediocridade. A rotina de Guy Montag é precisa: acordar, ir para o trabalho, queimar casas e livros, retornar para sua moradia e repetir. Mildred está constantemente presa a gigante tela de televisão e fofocando com o que chama de “Família” por meio dela.

“A escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas, e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é o que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?” (p. 85)

Num dia aparentemente normal, uma nova família muda-se para a vizinhança de Guy. Ao sair do trabalho, em seu caminho usual para casa, o encontro com Clarisse McClellan é inevitável. A jovem fala sobre filosofia, liberdade e vontade de desbravar outros mundos. Para Guy, um cidadão comum, isso é inaceitável e impossível. Como assim pensar por si próprio e ter imaginação? Não, não, o governo queima pessoas assim. Após essa noite, o bombeiro pega a si mesmo curioso para ver essa outra versão do mundo.

Durante um dia de trabalho corriqueiro, os bombeiros recebem um chamado de uma senhora que fora vista com um livro. A verdade é que são muitos escondidos e abarrotados num cômodo só. Convidada para se retirar, a senhora decide ser queimada juntamente com seus preciosos livros. É aí que Guy começa a furtá-los e esconder dentro de sua casa. Algo que poderia custar sua vida.

Desde então, sua vida toma um rumo inesperado: Guy se demite do emprego e ganha a coragem necessária para procurar as pessoas que são contra o regime do governo atual.

“Entende agora porque os livros são odiados e temidos? Eles mostram os poros no rosto da vida. Estamos vivendo num tempo em que as flores tentam viver de flores, e não com a boa chuva e o húmus preto.” (p. 121)

O livro é divido em três partes. A primeira é sobre o despertar da consciência de Guy. A segunda mostra Guy tentando lidar com a vida dupla e aceitar sua nova condição. A terceira é sobre o enfrentamento da sociedade atual e a busca por uma solução. Para que os livros não se percam com as chamas.

O título da obra é uma referência a temperatura ideal para que o papel, tanto das capas quanto das páginas, torne-se cinzas em poucos minutos. Fahrenheit 451 é uma crítica a sociedade alienada e como ela de fato seria caso não existisse a literatura. Mais do que para entreter, é um livro feito de reflexões.

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A resenha de Fahrenheit 451 foi escrita pela Carolina Rodriguez, minha amiga maravilhosa ❤ Muito obrigada, Pupu, por ter aceitado o convite de escrever pro meu cantinho! Já as fotos foram tiradas pela Mendi, que também tem toda a minha gratidão!

  • Amanda

    Em 10.03.2017

    Esse livro é maravilhoso demais. Às vezes tem páginas seguidas com tanta citação e reflexão maravilhosa que dá vontade de tatuar pra não esquecer <3 tá na minha lista de favoritos fácil fácil.

  • Clayci

    Em 10.03.2017

    Eu tenho vergonha porque nunca li esse livro ahiuhauihaiuhauihauihaiuhauhuiah
    Quero muito <3