Categoria "Livros"

Fruits Basket (Natsuki Takaya)

Em 23.03.2017   Arquivado em Livros

No post de quinta passada eu disse que essa semana traria resenha e mais mangás para vocês. Terça-feira publiquei minha visão sobre O caderninho de desafios de Dash&Lily, e terminando de cumprir minha palavra, hoje venho falar sobre Fruits Basket, mangá de Natsuki Takaya. Temos aqui a história de Tohru Honda, e como seu destino se cruzou com a família Sohma (ou Souma, como é colocada na versão brasileira).

Tohru foi criada apenas por sua mãe e nós começamos a história descobrindo que a menina se tornou órfã há pouquíssimo tempo. Como ainda era menor de idade, ficou decidido que sua guarda ficaria com o avô paterno e este, muito gentilmente, pediu para que a neta encontrasse abrigo na casa de alguma amiga por uns meses, porque a casa dele passaria por uma grande reforma. Além dela, o vovô também daria morada para a outra filha e os outros netos, então o local precisava estar preparado para receber toda a família.

Temos aqui uma protagonista que não quer incomodar ninguém. Ela até pensa nas duas amigas, Uo-chan (Arisa Uotani) e Hana-chan (Saki Hanajima), mas considerando as condições que as duas vivem, preferiu não fazer o que o avô pediu e decidiu resolver as coisas por ela mesma. Qual foi a solução encontrada? Comprar uma barraca e ir morar em um terreno vazio sozinha, e sem comunicar ninguém.

É aí que Fruits Basket começa a se aproximar do que vamos ter ao longo dos 23 volumes. Tohru não imaginava que o terreno onde fincou raízes fazia parte da propriedade de uma família cheia de posses, muito menos que essa família era os Sohma! Veja bem, esse sobrenome é familiar para a menina Honda, afinal ela estuda na mesma sala que um e este menino é justamente o príncipe da escola. Yuki Sohma!

Até aqui tá parecendo mó clichezão da praça, né? A menina se muda pra um terreno aparentemente abandonado, mas é justamente a morada do garoto mais bonito da escola!! CAAAAAALMA QUE VAI MUITO ALÉM DISSO!

De fato, Yuki mora em uma casa localizada no mesmo terreno, mas ali ele também é hóspede. A residência pertence ao seu primo, Shigure Sohma, e os dois resgatam Tohru (e as suas coisas) de um deslizamento que acontece no território. Ela conta sua história pra eles e Shigure propõe que a menina more com a dupla por um tempo — não cobrariam nada pela estadia, com a condição de que ela fizesse os afazeres domésticos. Tohru concorda com a proposta, mas é Yuki quem fica com o pé atrás. É seguro uma garota morar com eles? Será que o patriarca da família vai concordar com aquilo?

As coisas estavam indo bem. Tohru tem um quarto na casa, os meninos são gentis e ela não precisou incomodar nenhuma das amigas para que aquilo acontecesse. Ela só não contava com o fato de que um terceiro garoto atravessaria o teto de seu quarto com ódio e fúria transbordando dos olhos, todas as atenções e desaforos voltados para Yuki, que ajudava Tohru a arrumar suas coisas no momento que tudo aconteceu.

Aquele era Kyo Sohma completamente disposto a acabar com a raça de Yuki. Desnorteada com a cena e querendo impedir que algo ruim acontecesse, Tohru tenta se aproximar, mas tropeça e abraça Kyo pelas costas. Quem diria que o garoto de cabeça laranja ia se transformar em um gato? Literalmente um gato?

Interrompemos a programação para informar o conto dos 12 signos chineses.

Deus falou para os animais: “Eu vos convido para a minha festa, que amanhã se realizará. Não deveis se atrasar, ou ficareis de fora”. Ao saber da notícia, o rato faceiro foi até o seu amigo, o gato, e disse a ele que a festa seria somente depois de amanhã. No dia seguinte o rato pegou carona no lobo do boi e saltou pouco antes do local da festa só para ser o primeiro a chegar. Depois vieram o boi, o tigre e todos os outros, e a festa continuou animada até a manhã seguinte, com exceção do pobre gato, que foi enganado… (Fruits Basket #1)

O choque toma conta de todos — Tohru, Yuki, Kyo — e as coisas ficam ainda piores quando uma madeira cai bem em cima da cabeça da garota (sabe o buraco que Kyo provocou ao atravessar o telhado? Então) e ela desmaia… em cima de Shigure e Yuki. Além do gato, Honda estava diante de um cachorro e um rato, também. NÃO É TODO DIA QUE A GENTE ABRAÇA MENINOS E ELES SE TRANSFORMAM EM ANIMAIS! O susto é completamente compreensível, vamos combinar!

Não tem escapatória. Transformado em cão, Shigure começa a explicar o grande segredo que toma conta da família Sohma. Sabe o conto dos 12 signos chineses que acabei de contar? Entonces. 13 membros da família Sohma são amaldiçoados e se transformam em um dos animais do conto, são eles: rato, cachorro, porco/javali, coelho, boi, dragão, serpente, macaco, tigre, carneiro, cavalo e galo, e o gato, que não faz parte dos 12 signos mas partilha da mesma maldição. A transformação acontece quando são abraçados por alguém do sexo oposto, ou quando a saúde está debilitada. Na família Sohma os membros amaldiçoados possuem um patriarca, que representa o Deus da história, e eles são incapazes de ir contra o que essa pessoa dita. É uma força que vai além de tudo.

A maldição é um segredo, algo que Tohru jamais poderia descobrir, então sua estadia naquela casa está com os dias contados. Tudo precisa ser relatado ao patriarca. Mas… qual a surpresa quando este permite que a garota continue lá? Ela não seria a única. As ordens são explícitas: Kyo, mesmo contra sua vontade, também teria que viver sob o mesmo teto que eles.

O que o patriarca pretende com tudo isso?

Tudo o que coloquei até agora pode parecer um baita de um spoiler, mas é apenas a primeira parte do volume 1. Considerando que Fruits Basket é composto por 23 volumes, acreditem, não coloquei nada além do necessário nos parágrafos anteriores hahahaha

Enquanto Sakura é meu anime preferido, Fruits Basket é o mangá que eu mais gosto NA VIDA. Temos aqui uma história extremamente delicada que nos arranca risadas e uma verdadeira enxurrada de lágrimas a cada volume. Nós nos emocionamos demais com a vivência de cada personagem e todos, absolutamente todos, tem sua própria trama — suas alegrias, seus traumas, seus medos e seus desejos. E vou contar pra vocês, pessoal, o que não falta em Furuba (apelido carinhoso que o mangá ganhou hahaha) são personagens.

Não é aquele tipo de mangá que se limita às personagens principais, muito menos que fica única e exclusivamente em um triângulo amoroso (coisa que acontece bastante no shoujo). O amor transborda em Fruits Basket, mas ele vem em suas diversas formas. É o amor que Tohru sente pela mãe, o amor que as amigas sentem por Tohru, o amor que vai nascendo entre as amizades que começam a ser construídas (e aqui me refiro ao sentimento fraterno, e não ao amor-romântico). Encontramos também uma família completamente quebrada que tenta se livrar de uma relação abusiva, mas ao mesmo tempo é presa a uma força que nem mesmo eles são capazes de explicar.

Fruits Basket também ganhou sua versão em anime, com 26 episódios. Não recomendo. Até onde me lembro não são todas as personagens que aparecem e todas, absolutamente todas, tem seu grau de importância na história. Também fiquei sabendo que Natsuki Takaya criou Fruits Basket Another em 2015, que se desenrola no mesmo colégio onde Tohru, Yuki e Kyo estudavam, mas com outras personagens. Quase dois anos se passaram e ainda não tive a oportunidade de ler, porém a vontade tá aqui até hoje.

Obrigada JBC por ter trazido Fruits Basket para o Brasil ❤

O próximo post aqui do PD,N! vai ao ar dia 04/04, com o Mês a Mês de abril (o desafio que esqueço sempre, mas que já lembrei dessa vez, UHUL!). Ah, e na próxima semana teremos mais resenha literária também! Espero vocês aqui no meu cantinho ❤

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O caderninho de desafios de Dash&Lily (David Levithan e Rachel Cohn)

Em 21.03.2017   Arquivado em Livros

O caderninho de desafios de Dash&Lily: Palavras. Às vezes elas podem ser armadilhas, armas, armaduras. Outras, armistício. Sim, nesse jogo de prefixos e sufixos, elas iluminam e enlevam. E, no caso de Dash&Lily, se tornam cupidos, cúmplices, culpadas. Ou, simplesmente, matéria de sonho. Neste conto de fadas moderno, um caderninho vermelho busca um lobo hostil e, na aventura do encontro, os dois vagueiam pela floresta dos significados profundos e do amor verdadeiro, com a ajuda dos mais suspeitos coadjuvantes.

É 21 de dezembro e tudo indica que Lily terá o pior Natal de sua vida. Os pais viajaram para viver uma lua-de-mel atrasada, o avô colocou o pé na estrada rumo à Flórida para visitar a namorada e o irmão mais velho, Langston, aproveitou a ausência dos mais velhos para convidar o namorado a passar a semana com ele, dedicando ao boy toda a sua atenção. Ou seja? Lily estava sem a família e como se considerava a esquisita da turma, também não tinha amigos no feriado mais importante do ano.

“Sou a única pessoa que se dá bem com todo mundo, no sentido de não ser amiga de ninguém.” — pág. 68

Vendo a situação da irmã, Langston concluiu que Lily precisava de um namorado. Isso, um companheiro!, alguém com quem ela pudesse partilhar momentos tão bons quanto o que ele estava vivendo! Mas a menina de 16 anos nunca se apaixonou e considerando seu status social entre os jovens da sua idade, isso não aconteceria da noite para o dia. Veio, então, a ideia do desafio. Langston pegou um moleskine vermelho e pediu para que Lily escrevesse ali uma série de enigmas, para que ficasse com a letra dela, claro. Quando algumas páginas do caderninho estavam preenchidas, deixou o objeto em uma das estantes da livraria Stand — uma estante composta por livros que Lily gostava. Apenas alguém como ela encontraria o moleskine ali.

Quem encontra o caderno de desafios é Dash, que, claro, comprou cada proposta ali colocada. Só que depois de encontrar todas as palavras que precisava, descoberto a mensagem e até passado um pouco de vergonha no processo, decidiu que não seria o único desafiado daquela história.

“Ninguém nunca é quem você quer que a pessoa seja.” — pág. 130

É assim que Lily e Dash começam a se comunicar. Ambos escrevem desafios no moleskine vermelho e deixam o caderno no local instruído na mensagem anterior. Tudo parece ok e divertido e diferente e maneiro e cheio de adrenalina, até que… um deles meio que coloca aquela conexão a perder em uma certa boate. É assim que o jogo acaba?! Vai ter que ler pra descobrir.

“As pessoas importantes em nossas vidas deixam marcas. Elas podem ficar ou não no plano físico, mas existem para sempre no nosso coração, porque ajudaram a formá-lo. Não dá para esquecer isso.”

Os capítulos são intercalados. Ora Dash narra, ora é Lily e todos mostram a visão dos dois sobre os dias que estão vivendo. A história d’O caderninho de desafios de Dash&Lily gira entre 21 de dezembro e 1 de janeiro, mostrando como foi a semana do Natal de cada um — como se sentiam diante da novidade pela qual estavam passando um com o outro e, também, o que estava acontecendo além do moleskine vermelho.

“É disso que gosto nos esportes. Não importa se todo mundo que participa do jogo fala línguas diferentes. No campo, na quadra, onde quer que estejam jogando, a linguagem de movimentos e passes e gols é sempre a mesma. Universal.” — pág. 108

Achei o livro apaixonante do começo ao fim ❤ No início não sabia se gostava de Dash porque ele me pareceu muito esses pseudo-cults que querem parecer inteligentes e isso me irrita um bocado, mas o menino foi me conquistando ao longo das páginas. Lily, por outro lado, me cativou desde o seu primeiro capítulo. Fiquei bastante chateada com a forma como ela é tratada dentro de casa (é uma superproteção tão grande que!!! Chega ser!! Sufocante!!!!) então torci o tempo todo para que ela tivesse oportunidades pra viver e aproveitar bastante com aquelas experiências que os desafios estavam proporcionando (direta e indiretamente), e de todas as personagens no livro, senti que ela foi quem mais cresceu. Muito fofa!!

“Foi assim que Escandalily nasceu, de pessoas se esforçando tanto para me “proteger”.” (pág. 74)

Tenho que admitir: o final não me agradou completamente (mesmo motivo que me fez revirar os olhos pra Will&Will e Outro dia, que também foram escritos por David Levithan, veja bem), mas soltei um belo berro (aposto que você deve ter escutado da sua casa! Gritei alto!!!) quando fiquei sabendo que existe uma continuação para O caderninho de desafios de Dash&Lily, o The Twelve Days of Dash&Lily! A notícia chata é que ele ainda não foi traduzido e até onde sei, nem tem previsão para. Galera Record, vocês poderiam trazer esse título pra gente logo, né? Ficarei muito, muito, muito feliz ❤

Não tenham dúvidas: recomendo demais essa leitura ❤

Páginas: 255 | Editora: Galera Record

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